DIRCEU E A EPISTEMOLOGIA DA DÚVIDA

Hoje é segunda-feira, dia 23 de Setembro. Quero aproveitar esta ocasião específica para falar não sobre política, mas sobre epistemologia. A folha publicou hoje ( http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/09/1345627-dirceu-foi-condenado-sem-provas-diz-ives-gandra.shtml ) uma entrevista com o jurista Ives Gandra, onde este inimigo de Dirceu afinal, discorda da punição dada a ele. A Folha, sempre “partidária” e voz do PSDB, como clama com avidez os PTistas, afinal, publicou a voz de alguém “neutro” que vê como um grave precedente a condenação dos mensaleiros.

Seu argumento é de que a dúvida não ficou a favor da defesa, mas da acusão. O já decorado “inocente até que se prove o contrário” não fora respeitado, o que pressupõe que outros inocentes possam ser condenados mesmo na falta de provas. Mas me chamaram a atenção os comentários no final da matéria: todos apaixonados, por um lado ou outro, declarando enormes argumentos extremamente razoáveis e conexos.

O que me leva a pensar, afinal, na artificialidade da vida (principalmente a social – que me apedrejem os marxistas), pois que a despeito de qualquer fato o que importa são nossas paixões humanas fundadas no medo e na esperança: somos apaixonados (pela certeza, odiadores da dúvida) criando verdades a partir não do mundo, mas de nossas paixões humanas. A verdade, esta artificialização do mundo, é tão efêmera e frágil quanto nossas paixões que transitam entre outras esperanças e medos. E no final, achamos que o PT fora mais crimonoso que o PSDB – ou o contrário – fundados em paixões, não em fatos, discursos, ou ideologias (outras teorias que tentam dar conta do real pelas vias do medo e da esperança). Se assim não fora não estaríamos vendo homens racionais, do mais alto escalão da moral e da lei brasileira, se contradizerem. Ou você acharia que eles são apenas homens em busca de poder e dinheiro? Ouzarias dizer que eles já não possuem nenhuma voz interior? Nenhum medo ou esperança? Ouzarias dizer que não são mais humanos? Ouzarias dizer que Dirceu e Aécio não são, bem lá no fundo, homens em medo e esperanças, que choram e riem? Ouzarias dizer que venderam a alma ao diabo da dúvida e quebraram as taças (ou “chutaram o balde”)? Ouzarias dizer que não buscam alguma verdade no climax de suas angústias? Ouzarias dizer que não se angustiam? Pois eu digo que sim, se angustiam. E se vivem em angústias, buscam pela plenitude da verdade em detrimento da dúvida.

A incongruência da justiça (justiça, esta artificialização) nos revela, afinal, que o medo e a esperança são mais poderosos que a moral, a ética e a lei. E para onde fugir? Afinal, um fato só pode ter sido aquele fato no instante do fato. Logo depois, ele foi (e será) o que quisermos que ele seja.

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